quarta-feira, 2 de junho de 2010

À espera

Era um daqueles dias em que tudo podia dar certo. O encontro estava marcado para às 22:00. A moça - que não passava brilho nos lábios há dois meses - nesta noite passou. O casal iria pegá-la às 21:30, e então iriam ao bar, onde o encontro aconteceria. Lá estaria o moço, tímido/inteligente, amigo do casal, esperando por eles. Estava tudo planejado. Ele era um antigo amigo de faculdade da mulher acompanhada. Ela, de brilho nos lábios, era uma amiga recente do casal, que de quando em vez, saia com eles à procura de diversão.

Lábios secos, coração acelerado, vontade de fugir e de ficar. Era um encontro no escuro. O que ela iria encontrar, pensava. Será que vou dar conta, vou saber me comunicar, vou gostar dele? E ele de mim? Já faz tanto tempo, que nem sei mais. O que vamos conversar? Por que aceitei?

Chegamos! Entro no bar exitante, mas procuro manter ar de segurança, de confiança, de "sou mais eu e você é o sortudo que está tendo o privilegio de me conhecer"! Será que ele está percebendo o meu estado? Não, não... .

E eis a apresentação: Rodrigo (é o nome do moço), esta é a amiga de quem lhe falei, Sandra. Vocês tem muito em comum. (Ela podia ter deixado este comentário de lado. Parece que estou desesperada, jogada as traças! Arre!!!).

Rodrigo dá um sorriso, vamos em direção a mesa e nos sentamos para jantar. Que sorte, o garçom logo vem com o cardápio, adiando assim o "confronto fatal", ou seria melhor dizer fatidico? Escolhemos os pratos, os homens escolhem um vinho, e então começamos o ritual. Rodrigo pega a faquinha do prato de pão, escolhe uma das muitas variedades de paezinhos oferecidos no couvert para o nosso deleite,se serve de pate de queijo brie com nozes e damasco, passa em seu pão, e aí então, ops... . Rodrigo morde o pão e o PRÓPRIO DEDO contendo um grito de dor, mas a careta não me escapa. Será que ele também está nervoso, com medo do nosso encontro?

Um comentário:

  1. Logo em seguida, eu mordo a própria língua, ao mastigar o meu pedaço de pão, deixo cair a colher (Rodrigo abaixa-se e a recolhe), e nossos olhares se cruzam. O dele é suave, seus olhos grandes, redondos, negros e brilhantes, parecem sugerir que todas as cancelas demarcando os nossos territórios vão desaparecendo uma depois da outra. Deixando-nos próximos, perigosamente próximos. Ele volta à posição de sentido, sentado, uma gota do vinho do seu cálice despenca sobre a mesa, a pequena mancha vermelha, se espalha no linho da toalha até se tornar rosa, as cores fazendo o mesmo movimento do seu rosto. Ele está à espera.

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