Porque o vazio entra e saí?
Fácil seria viver com ele, aceitar de vez que ele existe ou, simplesmente não tê-lo.
Ele vive entrando, saindo, voltando, ficando, instalado, sumido, embreagado, disposto, massante, cessante.
Suspiros.
O blog "Crônica Coletiva" tem como objetivo criar crônicas em conjunto. Semanalmente será postado um trecho de uma crônica. Os interessados podem se cadastrar como autores e, assim, acrescentar ideias no início, no meio e/ou no fim do texto. Obs: quando a inspiração surgir, basta copiar a postagem anterior e acrescentar a sua!
quarta-feira, 22 de setembro de 2010
terça-feira, 21 de setembro de 2010
A ENTRADA
Seus sonhos estavam espalhados pelo chão. Planos... Sem forma... Misturados com as talhas de madeira no chão. Não havia nada no futuro. Morrer seria exatamente igual a viver. Ou melhor talvez? Ela não sabia... Mas não tinha vontade de morrer realmente.. Mas a sensação da cabeça e do coração sem sofrimentos, sem parar de queimar, iria desaparecer quando? Não tinha vontade de fazer absolutamente nada...
Ela queria voltar sentir o mundo de acordo com as palavras de William Goyen, em La maison d’ haleine ( a casa da respiração, talvez fosse a tradução):
“Pensar que possamos vir ao mundo num lugar que a princípio não saberíamos sequer nomear, que vemos pela primeira vez; e que, nesse lugar anônimo, desconhecido, possamos crescer, circular até conhecermos o seu nome, pronunciá-lo com amor, que o chamemos de lar, onde lançamos nossas raízes, onde abrigamos nossos amores; de forma que, cada vez que falamos dele, o fazemos como amantes, em cantos nostálgicos, em poemas transbordantes de desejo”.
Parte II - A saída ou La maison de L'amour
E os aparelhos apitando, o pai nervoso olhava pela janela, a tia, a vó, até o priminho que não sabia direito o que fazia.
Silêncio.
Foi a enfermeira gorda e desajeitada que ouviu o primeiro respiro sair bela boca da menina.
Sim, era uma menina, magricela, careca, pequena.
Os médicos olharam assustados, nunca tinham visto nada assim.
- Olha dona, a sua criança tem que ser estudada, é o primeiro caso desses que vejo em toda minha carreira.
A mãe, confusa e dopada
- Mas doutor, ela é perfeita! Tem todos os dedinhos dos pés e das mãos, olhinhos, boca …
- Mas dona, o problema não é o que tem fora, o problema é o que tem dentro! O coração dela é o maior do mundo, tomou conta de todos os outros órgãos, da barriga, das costas, até dos pezinhos. Aos poucos o corpinho não vai aguentar e ela vai transbordar amor por todos os lados, orelhas, bocas, por tudo.
- Doutor…
Deus me ouviu.
E respirou.
*(escrito por FP)
sexta-feira, 17 de setembro de 2010
O Bolo
Gosto azedo na boca. Gosto que não era esperado. A textura diferente... Seca... Farelenta.. Pontada na barriga. Ih.. O bolo está estragado!
Mastigando, fecho os olhos e começo a imaginar qual a sensação daquele momento. A massa gruda no céu da boca, nos dentes de cima a baixo. Sinto como se estivesse preso em meio aos meus próprios sentidos. Tenho medo. Páro de exercer o movimento e sinto uma enorme vontade de por pra fora toda essa massa que se apegou a mim. Sai daqui!
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